Portal Cdor Heraldo Lage
HLAGE.COM
Grupo Amigos Verso & Prosa

É NÓISH NA FITA ! POLÍTICA

Conheça também o nosso Blog "É NÓISH NA FITA !"

Enviada por: É NÓISH NA FITA !


A TURMA DO LULA ! NINGUÉM MERECE ! CLIQUE E ASSISTA !

A GLOCK ATACA !
Fonte: Revista Veja

        Investigação
      Fogo amigo
      Polícia Federal compra R$ 5 milhões
      em pistolas sem licitação e
      paga empresa austríaca usando
      escritório em paraíso fiscal
    
      Ricardo Miranda

A Polícia Federal foi rápida no gatilho ao decidir comprar novo armamento, mas sua precisão não a impediu de virar alvo do Tribunal de Contas da União, que investiga a instituição por suspeitar de uma espécie de "fogo amigo" na aquisição das novas armas. A PF acaba de adquirir cinco mil pistolas semi-automáticas 9mm. Está pagando R$ 5,1 milhões à fabricante Glock sem ter aberto licitação, baseada numa suposta superioridade da marca austríaca. A compra foi fechada com o escritório da Glock em Montevidéu, no Uruguai - um paraíso fiscal -, através de uma operação triangular que está sendo acompanhada com mira telescópica pelo TCU.

Enquanto o TCU começa a investigar, a PF finaliza a compra. Há um mês, o Siscomex, sistema informatizado de comércio exterior, informou que o embarque
das armas já está autorizado. O "fornecedor", segundo relatório do Siscomex,
é a Glock America - localizada na Plaza Independência 831, sala 802, em Montevidéu - e o Uruguai é o "país de aquisição" -, embora as armas sejam fabricadas na Áustria. Além de sua sede em Deutsch-Wagram, a Glock tem escritórios nos Estados Unidos, em Hong Kong e Montevidéu. "Esclarecemos que a aquisição dos presentes (armamentos) faz parte do Programa Nacional de Combate ao Crime", lembra o documento. Segundo fontes do TCU, auditores vão investigar se as faturas estariam sendo feitas pela Glock em Montevidéu para evitar o rastreamento de possíveis comissões. "Esse é um mercado altamente competitivo, joga-se muito pesado. Vendedor oferece comissão mesmo!", afirma o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, o coronel reformado da PM paulista José Vicente da Silva Filho. "A melhor vacina contra isso é licitação", ensina. PF e Glock, no entanto, reiteram a lisura do negócio.

Triangulação - O contrato entre a Polícia Federal e a Glock America, número 104/2005, foi assinado no dia 22 de dezembro de 2005, tendo de um lado o diretor-geral do escritório uruguaio, Luiz Antônio Martins de Freitas Horta, e de outro Sandra Cristina de Araújo, coordenadora de administração da PF. Pesquisa no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) confirma que no mesmo dia foi emitida a nota de empenho 900836, no valor total de R$ 5.118.750, tendo como credora a Glock America S.A., de Montevidéu. São quatro mil pistolas com dois carregadores com capacidade para 17 cartuchos e outras mil com capacidade para 15 cartuchos. O preço unitário é o mesmo: US$ 450 cada arma (cerca de R$ 1 mil) - incluindo miras com Tritium e um coldre. A Glock nega a operação triangular e afirma que, embora o pagamento esteja sendo feito por carta de crédito à Glock America, no Uruguai, o dinheiro cairá "na sua conta em banco austríaco e em agência na Áustria".

A investigação foi aberta a partir de uma denúncia entregue ao presidente do TCU, ministro Adylson Motta, pela empresa Militaria, tradicional fornecedora de equipamentos para a PF, como aparelhos de análise de voz, material para perícia e fuzis AR-15 da marca Bushmaster. Na denúncia, a Militaria afirma que todo o processo foi "dirigido para beneficiar a empresa Glock e sua offshore no paraíso fiscal no Uruguai". Segundo documentos em posse do TCU, há mais de um ano, a direção da Polícia Federal e a Glock America já trocavam correspondências discutindo um possível negócio. Um documento timbrado da Glock America enviado à PF no dia 27 de setembro de 2004 lista duas mil pistolas Glock, semelhantes às que estão sendo agora adquiridas, cotadas a US$ 385 cada uma (cerca de R$ 850). "Esperamos que esta oferta seja bem interessante para o Departamento de Polícia Federal", assina Luiz Horta.

    
      Ronaldo Leão, especialista em
      armas e diretor do Núcleo de
      Estudos Estratégicos da UFF: "A
      Glock é uma pistola de boa qualidade, mas não é unanimidade. Existem
      outras concorrentes" 
A PF queria mais, queria dez mil pistolas Glock. No ofício 186, enviado no dia 21 de junho de 2005 pela Diretoria de Administração e Logística Policial da PF ao general Rosalvo Leitão de Almeida, diretor de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Ministério da Defesa, solicitava-se a importação de dez mil pistolas 9mm da marca Glock, escolhida "após minuciosa análise técnica e consulta a outras instituições policiais de renome internacional". A "minuciosa" análise é resultado de uma comissão interna criada pela própria PF para escolher a melhor arma. Encerrada em junho de 2005, a comissão concluiu que a Glock, detentora da tecnologia safe action, era a melhor pistola semi-automática para seus homens. O sistema, segundo a PF, tornaria as pistolas mais seguras do que as outras armas semi-automáticas - embora características como "precisão, durabilidade e segurança" sejam arrogadas por todos os fabricantes.

Especialista - Segundo especialistas ouvidos por ISTOÉ, a tecnologia safe action é um seguro de trava por dentro do gatilho. Nada que transforme a Glock em uma arma inigualável. A fabricante da pistola austríaca Steyr 9mm, por exemplo, afirma possuir o exclusivo - e patenteado - sistema multifunção, que facilitaria sua manutenção. "A Glock é uma pistola de boa qualidade, mas não é uma unanimidade. Existem seis ou sete concorrentes dela no mercado mundial. Eu, por exemplo, prefiro a FN-Browning", avalia o professor Ronaldo Leão, especialista em armas e diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF). O próprio Comando de Operações Táticas (COT), unidade de elite da PF, sugeriu recentemente adotar como arma-padrão a pistola da fabricante belga FN-Browning. De acordo com o professor, outras pistolas têm sistemas de segurança do gatilho e armação de polímero, como a M-A1 da Steyr. A pistola suíça Sig-Sauer, outra concorrente, é usada pela polícia da França. Já a italiana Beretta é a preferida pelas Forças Armadas americanas. O próprio estudo da PF informa que, entre as armas importadas adquiridas pelos policiais brasileiros com recursos próprios, 37% eram Glock - o que equivale a dizer que 63% não eram. Segundo o professor Leão, o ideal é que cada policial possa escolher sua arma, sem que se padronize sua principal ferramenta de trabalho. "A padronização representa um risco: é tudo ou nada. Se for feita uma má compra, está todo mundo liquidado."

Olho no mercado - Policial há 20 anos, o chefe da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE) da Polícia Civil do Rio, delegado Carlos Oliveira, usa uma Glock. "Ela é muito aceita porque é leve e tem bom sistema de segurança interna", elogia. Ele concorda, no entanto, que existem outras grandes pistolas no mercado. "Arma é como esposa, você arruma a sua, se dá bem com ela, vira sua parceira para a vida inteira. Se não se deu bem, arruma outra. Não falta oferta", compara. "Não existe isso de melhor arma do mundo. O correto é estabelecer uma série de pré-requisitos no edital de concorrência para garantir o melhor preço e qualidade para a arma", defende o coronel José Vicente da Silva Filho. A Glock tenta fazer uma venda significativa de armas para o Brasil desde o final da década de 1980 e já pensa até em abrir uma fábrica no País para competir com a brasileira Taurus, líder do mercado. Por lei, as Forças Armadas só podem comprar armas de indústrias estabelecidas no Brasil. Com a compra feita pela PF, a Glock tem um ótimo passaporte para o mercado brasileiro.
 

Página Principal

Old
Guest Book

Assine meu novo Livro de Visitas
Free Guestbook from Bravenet.com
Livro de Visitas
Antigo