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É NÓISH NA FITA !

Enviada por Jéssie

Brasil em tempos de Big Brother


 

Nota minha:   Concordo com a Jéssie e com o texto. O que não concordo é que além de apresentar um programa que no meu entender, é um lixo, a emissora de tv procure cercear o direito da imprensa de veicular matérias a respeito.  :o))

É bom deixar claro que não assisti o programa de lançamento e nem assisto a nenhum capítulo do que reputo como tremenda porcaria enlatada !   :o))

Um Grande abraço !

Heraldo Lage

 

Endosso, em gênero, número e grau.  Não é preciso ser advogado para ser lúcido, coerente, realista e de bom gosto.  Lamentavelmente, até mesmo em família tenho pessoas que apreciam o "mundo cão".  Ainda bem que Deus nos fez diferentes, uns dos outros, independente da proximidade física ou de parentesco.  Não só lamento pelo Brasil, mas pelo mundo, que tem que escoar pelo ralo toda essa sujeira ou "diversão de péssimo gosto".  E, juntamente, aqueles que a defendem. 

 
Todos e cada um têm direito às suas preferências.  Como eu tenho direito à minha opinião a respeito.
 
Tenho dito !
Jéssie
 
 


O BRASIL EM TEMPOS DE BIG BROTHER
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
advogado

Refletindo um impressionante surto de falta de criatividade e ausência de boas idéias, a TV Globo levou ao ar, na última semana de janeiro de 2002, o programa "Big Brother", ou em português, o "Grande Irmão", que consiste em manter um número determinado de pessoas presas em uma casa por 60 dias, sem acesso algum a benesses tais como televisão, rádio, jornal ou internet, sendo filmadas 24 horas por câmeras espalhadas dos banheiros à cozinha, até que só reste um único competidor no lugar, o qual por sua bravura e capacidade de resistência irá fazer jus a um gordo prêmio em dinheiro.

Os últimos informes colhidos na Internet dão conta de que a audiência do programa "Big Brother" não poderia ser melhor. A alta cúpula da Rede Globo comemora esfusiante os reflexos disso no faturamento com inserções de publicidade, mas sobretudo, comemora a sucessiva derrota, em termos de Ibope, da sua principal concorrente, o SBT, no horário.

Todo o resto é secundário. Conversa para boi dormir.

Os milhões que ficam do outro lado da tela parecem mesmo curiosos para invadir noite após noite a rotina dos participantes do programa Big Brother Brasil, vê-los dormindo, brigando, se espreguiçando, tomando banho, comendo, submetendo-se aos piores tormentos em busca do tal prêmio final prometido ao vencedor da gincana.

Confesso que não assisti ao episódio de estréia de "Big Brother", mas por outro lado não me constrange dizer que não pretendo acompanhar os demais capítulos dessa autêntica escatologia da vida moderna. Tenho mais o que fazer do meu tempo e da minha massa encefálica.

Com todo o respeito a quem pensa diferente, muito melhor é ler um bom livro, ouvir uma boa música instrumental, jogar cartas, tudo, qualquer coisa, menos passar meia hora diante dessa baboseira sem conteúdo algum, e que só demonstra o enorme grau de mediocridade cultural a que chegamos enquanto
sociedade.

 
O prazer de assistir diariamente pessoas "comuns" ou celebridades confinadas dentro de uma casa, proibidas de quase tudo em nome do dinheiro, me repugna e me assusta não só como cidadão mas também como observador atento do cotidiano brasileiro que sou.

Pior que isso, muito pior, contudo, é o megalomaníaco cartaz que a própria Mídia vem dando ao assunto "Big Brother", tratando-o como se fosse uma idéia de gênio, uma brilhante jogada de marketing ou uma napoleônica estratégia da Globo pela primazia no Ibope.

De repente, parece que o cérebro de todo um País derreteu e virou gosma. No seu lugar, ficou um caroço um amendoim. Ninguém mais se dá ao trabalho de racionar a gravidade do que está acontecendo entre nós. Todos voluntariamente mergulharam de cabeça na demência e no deslumbramento com o
surreal.

Até a questão da violência foi relegada a um segundo plano depois da estréia do "Big Brother" e da iminência da chegada aos lares brasileiros da "Casa dos Artistas 2". Os executivos de televisão, indiferentes a tudo isso, só comemoram: eles finalmente descobriram o que é que prende o telespectador diante da tv e o fazem esquecer do controle remoto: o voyerismo, o drama alheio, a exposição ao ridículo.

É mesmo uma pena que um País de cultura tão rica e variada como o Brasil tenha se permitido reduzir a uma mera republiqueta de bananas,  cuja população não freqüenta bibliotecas ou museus públicos, apesar de eles existirem aos montes, e que jamais aprendeu a ter um hábito de leitura
permanente.

Nesse exato ponto, muitos seguramente diriam: mas, Gustavo, os livros por aqui custam os olhos da cara, é praticamente impossível para a maioria das pessoas adquiri-los, que dirá lê-los com regularidade. Como reverter esse cenário a curto ou médio prazo??? Como tornar bem instruída uma população predominantemente de analfabetos???

Respondo: investindo pesado em educação básica, estimulando o aluno da escola pública e da escola privada a colocar as suas idéias no papel, provocando-os ao debate e à discussão de idéias, ensinando-os a serem cidadãos. É hora de se ver que não existe cidadania plena sem educação para todos, educação de qualidade, educação com senso crítico.
 
A esse respeito, não basta, sequer de longe, levar o livro didático a um número físico maior de crianças, como também não basta entupir as escolas de micro-computadores última geração e projetores de slides. É preciso, bem antes disso, começar a sensibilizar pra valer a criança brasileira para o prazer da leitura e a descoberta de novos mundos através do livro. Sem essa etapa preliminar na formação da personalidade, a criança do Brasil com o tempo tenderá a se tornar nada mais senão um adulto obtuso e frustrado, incompatível ao conceito de cidadão.

Lembro com saudade do meu tempo de criança, quando na TV os campeões de audiência eram O Sítio do Pica-Pau Amarelo, O Balão Mágico e os desenhos de Hanna Barbera e Walt Disney. Nada de violência. Nada de brutalidade. Nada de palavrões ou baixarias. Reinava absoluto um aprazível clima de inocência e de ingenuidade, hoje, porém, substituído pela malícia sem limites, pelo erotismo exagerado e pelo contato precoce com o sexo, cada dia mais banalizado.

Simultaneamente a esse saudosismo que me invade, não consigo parar de me sentir intranqüilo e angustiado com aquilo que enxergo ao meu redor hoje em dia: bandos de crianças com brincos em todas as partes do corpo, fumando e bebendo sem controle, transformando os Shoppings Centers em núcleos de barulheira e algazarra, passando a quilômetros da livraria mais próxima.

Ora, se a atual geração de brasileiros é que irá governar o País no futuro, o que será de nós e do nosso patrimônio cultural daí para frente???

Fosse o Brasil um País verdadeiramente sério e com vergonha na cara, do que nos últimos anos passei a duvidar, programas do nível deste "Big Brother" global jamais se tornariam coqueluches ou obsessões, veículos de lobotomia coletiva, muito menos seriam eles o principal assunto para tanta gente ao mesmo tempo.

O apego às coisas da cultura é, quando do mínimo, imprescindível, para não dizer obrigatório, ao efetivo sucesso de um povo na História mundial. Por que é tão difícil se dar conta disso???

Temos, portanto, de acabar de uma vez por todas com o vexatório título de País sem memória, erradicando o analfabetismo, a miséria e a fome que hoje assolam a esmagadora maioria de nossa gente.

Rezo a Deus que o Brasil encontre, senão a curto, pelo menos a médio prazo, o glorioso destino que lhe foi reservado, tornando-se uma grande incubadora de talentos e valores, resgatando a auto-estima de sua população e a confiança de cada um em um amanhã mais justo e menos desigual.

Terá deixado de valer a pena sonhar? Não acho. Para mim, sem os sonhos a realidade cotidiana não é mais do que um longo filme de cinema mudo, chato, monótono e sem graça.

Que as nossas crianças reencontrem em breve o caminho dos bons livros e que deles se tornem amigos para sempre, amigos e parceiros, amigos e admiradores devotos. Que possam ambos, as crianças e os livros, se tornar uma só energia pulsante, contagiando adultos de toda parte.

Que, ao se cercarem de tal base na formação de suas personalidades, nossas crianças possam se tornar eleitores maduros e conscientes de seu papel na causa da liberdade de expressão e da Democracia participativa, aprendendo a saber destacar apenas os melhores para os postos-chave do Executivo e do
Legislativo, pessoas que, uma vez lá, se dignem de trabalhar por uma pátria sem desigualdades ou incongruências.

Faça a sua parte, meu amigo, minha amiga. Doe os seus livros antigos a uma biblioteca pública. Prestigie as coisas da terra, nosso artesanato, nossas artes plásticas, nossa música. Torne-se um cidadão a pleno vapor. Você não irá arrepender-se, lhe garanto.

Paz e saúde para todos. Um feliz Carnaval.
É o recado.

 

 

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