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Enviada por: É NÓISH NA FITA !

PORQUE O LULA PODE GANHAR
Fonte: Percival Puggnia - 22/01/2005

 

José Nêumanne - Jornal da Tarde

O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores - PT - Tarso Genro concluiu artigo publicado na Folha com uma profecia: “Lula pode ganhar” a próxima eleição presidencial. É claro que pode. E para crer nisso ninguém precisa ser um serviçal tão sabujo deste projeto do grupo no poder como o autor, capaz de ignorar a expulsão da própria filha, Luciana, da legenda pela truculência de seu então colega de governo, José Dirceu, de quem suportou estoicamente estocadas que embrulhariam estômago de avestruz quando ocupou a presidência nacional petista, tendo por ela abandonado o Ministério da Educação. Lula pode ser reeleito, sim, porque o governo que chefia compra votos de miseráveis com o Bolsa Família, dispõe de R$ 14 bilhões em “restos a pagar” para gastar no ano da eleição em obras e todo eleitor já pode ter uma idéia do massacre publicitário governista ao qual será submetido na próxima gestação da sucessão.

O artigo do ilustre quadro do partido do governo é da maior importância, mas não por causa desse truísmo tolo e, sim, porque revela a nova bateria retórica a ser usada pelo PT e pela esquerda, que o acompanha de olho nas boquinhas da administração pública, no pesado bombardeio que os espera na guerra das urnas. Este analista pede ao leitor desculpas para recorrer ao estilo obscuro do autor do artigo citado, pois isso tornará mais clara a estratégia a ser adotada. O penúltimo parágrafo do tal artigo reza exatamente o seguinte: “A superação dos grandes ódios e preconceitos que os erros do Partido dos Trabalhadores fizeram emergir também é um elemento da revolução democrática no País”.

Embora nem sempre seja tão fácil entender o que Genro escreve, a relevância de sua afirmação merece uma tentativa de explicar a terceira estratégia do PT - a primeira foi transferir toda a culpa para o ex-tesoureiro Delúbio Soares, expulso do partido para esconder a responsabilidade dos chefões aos quais serviu; e a segunda, pedir desculpas pela forma descarada com que o autoproclamado monopólio ético foi dilapidado por certos companheiros.

Ora, a direção anterior do PT participou de um dos mais chocantes episódios de corrupção da história da República brasileira. Uma CPI presidida pelo líder do partido no Senado e relatada por um deputado da ala governista do PMDB demonstrou cabalmente a existência de um duto de propinas com recursos originados em estatais e empresas privadas e destinados a deputados de legendas da base de apoio ao governo federal com o objetivo de convencê-los a mudar de bancada ou a votar a favor de projetos de interesse oficial nos plenários do Congresso. Tudo isso, na “novilíngua” orwelliana (apud 1984) foi reduzido a “erros do PT”, assim como o crime do caixa 2 virou, num toque de varinha de condão, “recursos não contabilizados”. E todo e qualquer cidadão que não aceite o furto ou sua transmutação em “engano” vai virar um execrável e preconceituoso manipulador do ódio contra o povo.

Atenção, amigo leitor, não se trata aqui de mera falácia. Trata-se de uma estratégia eleitoral pela qual qualquer crítico da repugnante impunidade vigente no País torna-se um defensor da “punidade seletiva”. Essa expressão foi empregada pelo pai da proscrita Luciana Genro em seu artigo para desqualificar adversários, mas serve como uma luva para o comportamento do partido que ele mesmo prometeu “refundar”, à época em que o susto do flagrante com a “mão na botija” ainda não permitia tiradas cínicas do gênero. A estratégia do bode expiatório (que, na verdade, nunca foi sacrificado, pois o máximo que ocorreu com Delúbio foi ser expulso do partido, o que nada significa para punir o delito de que é acusado), substituída pelo perdão parcial, dá lugar agora ao enfrentamento do adversário com as armas aprendidas na última eleição de Marta Suplicy com o velho inimigo Paulo Maluf. O detalhe é que Marta perdeu. Não perdeu?

* Jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde.
 

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