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  inutilidades...  


Enviada por: Paulo Plöger

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AVIADOR MODELO
Essa é pra quem gosta de voar em aviões pequenos...
 


CARTA DE UM FAZENDEIRO A UM AMIGO DA CAPITAL PEDINDO AJUDA.


Oi, amigo,

Estou te escrevendo porquê eu preciso que você me ajude a tirar essa porra de carteira de piloto de novo. Você vive me dizendo que conhece todo mundo, pois esta é a sua chance de ajudar um velho amigo, porquê eu estou desesperado. Isso tudo aconteceu por causa do meu último recheque com o checador do DAC.

Quando o checador, Major Sergio me telefonou, ele até me pareceu um cara razoável, legal.

Aí, ele muito educadamente me relembrou da necessidade de fazer um vôo de recheque a cada dois anos.

Ele até se ofereceu para vir guiando até a minha fazenda, e fazermos o recheque na minha própria pista. Naturalmente eu aceitei.

Bom, ele apareceu na ultima sexta feira. Primeiro ele disse que estava surpreso de ver o avião numa pistinha tão pequena o lado da sede, porquê a pista homologada fica a mais ou menos 10 quilômetros dali. Eu expliquei que usava esta pistinha porquê ela era muito mais perto do que a homologada, e apesar das linhas de força que cruzam o meio da pistinha, isso não era um problema, porquê nesse ponto da pista ou você já decolou ou já pousou.

Eu não sei porquê, mas o Sergio parecia nervoso. Então, apesar de eu ter feito a inspeção pré vôo só 4 dias antes, eu decidi fazer tudo de novo.
Só porquê ele estava me observando atentamente, eu dei duas voltas ao redor do avião em vez de uma de costume.

Meu esforço foi recompensado, porquê finalmente a cor voltou ao rosto dele. De fato ele ficou até um pouco vermelho.

Vendo que agora ele estava de bom humor, eu perguntei para ele se eu podia aproveitar o recheque com um pouco de trabalho da fazenda, porquê eu tinha que levar três leitões que estavam perto da sede, até o pasto do outro lado. Depois de muito custo finalmente eu consegui caçar os três leitões e joguei eles atrás do velho 172. Nós subimos a bordo, mas o Sergio começou a me questionar sobre peso e balanceamento e toda essa baboseira.

Claro que eu já ouvi falar dessa coisa. Mas eu sei que isso ai é perder tempo porquê os leitões não param quietos, principalmente quando percebem que estão 500 pés acima do solo !!!

Então está na cara que não adianta fazer peso e balanceamento porquê não se consegue segurar eles.

Eu então falei pro Major Sergio não se preocupar porquê eu sempre deixo o compensador no neutro para ter certeza de que o avião fica estabilizado a qualquer momento do vôo.

Bom, de qualquer forma, eu dei partida no motor e rapidamente para diminuir o tempo do motor esquentar pisei forte nos freios e taquei 2.500 RPM.
 

Foi ai que eu descobri que o Sergio tinha um bom ouvido. Apesar de ele estar com o fone de ouvidos, e com o barulhão do motor, ele conseguiu detectar umas batidinhas metálicas e quis saber o que era. (Na verdade esse barulho começou a um mês atrás e é causado por uma chave de fenda que caiu num buraco que tem no soalho do avião e engastalhou na seletora de combustível.)

Não dá para virar a seletora agora, mas acho que não tem muito problema porquê já que ficou travado em ambos, acho que está ok..)

De qualquer forma como o Major era um chato, eu disse que o barulho era de uma garrafa térmica de inox que eu sempre deixo no painel, entre o pára-brisas e a bússola.

Acho que ele aceitou minha explicação porquê ele puxou o banco para trás e ficou olhando fixamente para o teto da cabine.

Eu soltei os freios para taxiar, mas infelizmente o avião deu um tranco e uma guinada para direita. Eu pensei, porra o amortecedor da direita quebrou de novo.

O tranco deixou o Major esperto de novo. Ele olhou assustado justo a tempo de ver uma pedra atirada pela hélice estilhaçar o pára-brisas do seu Honda novinho. Eu pensei comigo mesmo "agora to encrencado".

Enquanto o major estava ocupado olhando pro seu carro, eu ignorei seu pedido de taxiar até a pista principal e decolei da pistinha mesmo, por baixo das linhas de força.

O major não disse uma palavra, bom, pelo menos até quando o motor começou a ratear justo na hora de tirar o 172 do chão, ai ele começou a balançar a cabeça e falava, "Ai meu Deus! Ai meu Deus! Ai meu Deus!"

"Fica frio Major" eu falei firmemente. "Isso quase sempre acontece nas decolagens, mas existe uma boa razão para isso." Eu expliquei para ele com toda paciência do mundo que eu sempre uso gasolina comum no avião, mas um dia por acaso eu coloquei um ou dois galões de querosene. Para compensar a baixa octanagem do querosene eu coloquei um pouco de gasolina azul aditivada, e ai eu balanço a asa para cima e para baixo algumas vezes para misturar tudo. Desde essa época o motor começou a ratear um pouco, mas normalmente ele trabalha direitinho, (isso se a pessoa souber balançar direitinho as asas).

De qualquer forma, a essa altura o major pareceu perder todo o interesse no meu vôo. Ele tirou do bolso um rosário, fechou os olhos e começou a orar. ( Eu não imaginava que alguém nestes dias fosse tão católico).

Ai eu coloquei uma musica suave no radio HF para ajudá-lo a relaxar.

Enquanto isso, fui subindo para minha altitude normal de cruzeiro 8.500 pés. Eu normalmente não faço plano de vôo ou pego o Metar, porquê aqui na fazenda você sabe que não tem essas coisas, e normalmente aqui está cavok. (Mas desde que eu quase dei de frente com um Seneca , acho que tenho que repensar melhor isso.)

Bom, quando eu estava nivelando, eu vi lá em baixo um bando de porcos do mato se dirigindo para o meu pasto novinho. Eu detesto esses bichos e sempre levo uma 12 carregada no lado da porta do Cesnna para o caso de eu ver esses malditos bichos.

Nos estávamos muito alto para eu poder acertá-los, mas por uma questão de princípios resolvi fazer uma curva para ver melhor.
 
Amigo quando eu saquei a 12 o efeito no major foi feito um choque elétrico.

Conforme eu disparei o primeiro tiro o pescoço dele se alongou uns 10centímetros e os olhos dele pareciam os de um coelho com gripe. Ele parecia ter tocado numa cerca elétrica com 100.000 volts.

De fato a reação dele foi tão violenta que eu perdi toda a concentração por um instante, e o tiro seguinte acertou direto no pneu esquerdo. O major parecia preocupado com os tiros (provavelmente era membro dessas sociedades protetora de animais), então eu decidi não contar nada desse nosso pequeno problema com o pneu.
 
Logo em seguida eu localizei a manada principal e decidi fazer meu pequeno truque de piloto de caça.

O major voltou a rezar baixinho.
 
Ai eu numa seqüência suave dei full flap, cortei o motor e comecei a glissar de 8.500 para 500 pés com uma velocidade indicada de 140 nós (pelo menos a ultima vez que eu olhei estava) com a agulha do velocímetro entrando na faixa vermelha.
 
Que confusão cara.!
 
No meio da descida eu olhei para trás da cabine para ver os 3 leitões graciosamente suspensos no ar e urrando feito loucos.

Eu até ia comentar com o Major essa vista incomum mas ele estava meio verde, se enrolou na posição fetal e sua cabeça tremia. Amigo parecia que eu estava num zoológico maluco. Você tinha que estar lá para ver, foi super engraçado!

A mais ou menos 500 pés eu tentei nivelar mas não sei porquê continuei afundando.
Quando chegou nos 50 pés eu dei full power, mas nada aconteceu nem um barulho, nada.
 
Aí, por sorte eu lembrei da voz do me instrutor falando "ar quente do carburador, ar quente". Então eu puxei o ar quente do carburador e isso funcionou porquê o motor finalmente reagiu.. Putz deixa eu te contar, essa passou perto, bem perto!

Ai amigão, você nem imagina o que aconteceu depois.

Nessa altitude nos entramos numa nuvem de poeira levantada pelo estouro do gado, e de repente putz! Entramos IFR. Amigão vou te dizer você ficaria orgulhoso de mim porquê nem cheguei a entrar em pânico, mas eu tomei nota mentalmente de tirar uma carteira IFR, tão logo eu conserte meu giro direcional. (Já estou pensando em consertá-lo faz uns dois anos).

De repente o pescoço do Major se esticou de novo e os olhos esbugalhados reapareceram. Ele abriu a boca, bem aberta, mas não saia nenhum som.
 
"Fica frio" eu falei para ele nos vamos sair dessa num minuto." E foi o que aconteceu, um minuto depois nos emergimos da poeira nivelados e ainda a 50 pés.

Vou te confessar uma coisa, ai quem se assustou fui eu, quando percebi que estávamos no dorso, e continuei pensando comigo mesmo "tomara que o major não tenha percebido que eu esqueci de ajustar o QNH quando estávamos taxiando". Esse pequeno incidente me forçou a voar para um vale próximo aonde consegui fazer meio tunne au e ficar de cabeça para cima de novo.

Nesse meio tempo a boiada se dividiu em dois grupos, deixando uma trilha estreita no meio deles.

"Ah eu pensei, olha uma trilha vamos pousar logo ali,"
 
Sabendo que o problema do pneu demandava uma aproximação lenta eu fiz uma série de curvas com full flap. Ai a buzina de stall tava tocando tão alto nos meus ouvidos que eu desliguei o disjuntor para parar o barulho, mas ai eu percebi que nós estávamos devagar mesmo, já estolando. Eu fiz uma final duns 30 metros e joguei o avião no chão com um baita tranco.Amigo eu sempre tinha pensado que para dar um cavalo de pau você tinha que ter um convencional, mas isso provou que eu estava errado de novo.

No meio da nossa terceira virada, o Major finalmente recuperou seu senso de humor. Amigo vamos falar de risadas! Eu nunca tinha visto nada assim.
 
Ele não conseguia parar. Finalmente nós paramos num tranco e eu soltei os leitões, que saíram correndo do avião desesperados.

Ai eu desci do avião e comecei a pegar chumaços de grama. O major não parava com o acesso de riso, e perguntou o que eu estava fazendo. Eu expliquei que estava recheando o pneu furado com grama para a gente poder voar de volta para a sede.

Foi ai que o major realmente perdeu a pose e começou a correr para longe do avião.

Dá para acreditar nisso? A ultima vez que eu o vi ele estava balançando os braços e eu ainda ouvia sua risada. ( Eu ouvi dizer depois, que ele foi internado num sanatório psiquiátrico). Pobre homem!
Que será que aconteceu pra ele ficar assim?

De qualquer forma amigo, chega de falar do Major. O problema é que eu acabei de receber uma carta do DAC, cassando, (foi assim que eles falaram) minha licença de vôo, até que eu faça um curso completo de piloto privado e faça um cheque de proficiência.
 
Bom, agora eu admito que errei em taxiar com o amortecedor quebrado e não ter ajustado o QNH usando a elevação da pistinha, ma eu não vejo o que fiz de tão errado para eles cassarem minha carteira. Você também não acha?

Abraços do amigo Zé
 
 

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